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sábado, 17 de agosto de 2013

dele

as formas não eram as dele
o cheiro não era o dele
o toque não era o dele

a barba roçando na nuca
me arrepiava como a dele
mas... não era ele.

me sufocou de carinho
e eu
sentia seu coração pulsando
sobre o meu corpo

a cada batida me faltava o ar,
e me engasgava o drama
de querer que fosse ele,
mas não era ele.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

o custo

eu sempre prefiro o mais difícil.
mesmo que para conseguí-lo seja necessário que eu facilite as coisas.


domingo, 11 de novembro de 2012

X

sou o que soul.



em verbos transparentes
traço partes de mim

quando a boca silencia
quando a alma 
inquieta

pr'eu m'entender
melhor
pr'eu m'encontrar
mais certa



terça-feira, 3 de julho de 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Preencha

Não me privo de viver no espaço das lacunas que você deixa em branco.

Recebo rascunhos, rabiscos, recados.
Versos em trocadilhos, trocas de avessos rimados.
Apertos, mordidas, amassos.


Propostas loucas e súbitas.
Me entrego a poucas,
Não valem um bocado...

E dos elogios, às vezes creio, às vezes rio.
Tenho medo do exagero, por ter exagerado.

Como já dito, meu coração não quer saber de novidade.
Os pés caminham sempre adiante, tentando não olhar pra trás.
Mas veja só o que ele me faz...
Ele me faz.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

matemática incerta

Duas metades que se encaixam,
ou dois terços, e a falta?
Lhe falta...

Duas metades que se faltam,
ficam dois terços sem soma,
Pois ainda falta.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

ela, a terceira pessoa

Ela deveria dizer tudo o que sente, sem delongas, mas não o faz.
Afinal, já o fez muitas vezes.
E a cada noite, quando deita sua cabeça pra dormir, dormir é a última coisa que consegue.
Ela pensa demais, e tudo, toda noite, vem à tona.
Repassa na sua cabeça cenas sobrepostas, como um filme mal editado, sem começo, meio ou fim, que não a permite raciocinar, que não a permite tirar conclusões sobre nada.
Racionalmente ela nega, mas ao mesmo tempo se entrega, como uma louca suicida, pronta pra se atirar de novo. E de novo. E de novo.
Daí, dentro dela, sente como se devesse fazer algo, mas não sabe o quê.
Sente um turbilhão de vontades e desejos, mágoas e receios e não consegue dominar.
Deseja intensamente conseguir um dia dizer não. Mas sabe que provavelmente, vai falhar.
Se houver essa possibilidade novamente, claro.
E por que ela diria não? O que mais tem a perder, se tudo soa como se estivesse perdido?
E aí monta em sua cabeça diálogos que nunca conseguirá reproduzir.
É quando ela sente vontade de fugir, de sumir, de se afastar pra sempre, mas ela sabe que não pode.

Ela deveria. Mas não o faz.